NOSSA SENHORA DA GUIA

Padroeira dos Emigrantes     -     Loriga

NOSSA SENHORA DA GUIA

Programa-Festa 2007

Origem do Nome

 

Recortes Históricos

 

N.ª S.ª da Guia

 

    Loas a N.ª S.ª Guia

    Versos N.ª S.ª Guia

    Casa de Apoio

    Coreto

    Carta de um emigr.

    Beneméritos

 

Mordomia 2007-2008

 

Livro de Visitas

-

 

Nossa Senhora da Guia
 

Nossa Senhora da Guia

 

Loriga – porventura a terra mais panorâmica do Concelho de Seia – está situada em plena Serra. A guisa de moldura imponente abraçam-na e cingem-na altos montes com as suas penhas e peducais, tendo nas suas faldas o tapete verde e manso dos pinheiros.

É bela, surpreendentemente majestosa e típica esta terra. Vista de longe, da Penha d’Águia por exemplo, arrebata, domina e extasia ao mesmo tempo.

Terra de alturas e abismos, de ribeiras pressurosas com água pura a cantar e dançar à volta de penedia calva e branca, de milheirais verdes cobrindo courelas encavalitadas em anfiteatro que desce pelos pendores do outeiro onde se situa. Na sua rudeza, na alegria pura das suas gentes, nos remansos e passeios silenciosos, no rumor das suas fábricas e oficinas, nas suas casas brancas e na grandeza e imponência da sua serra, é uma terra turística e privilegiada, terra sonho, de paisagens que não esquecem, de ares que tonificam de fontes que refrescam e dessedentam…

Há em Loriga uma devoção bem vincada à Virgem com o título de Nossa Senhora da Guia. A noroeste da povoação, num morro que emerge da ribeira de S. Bento, branca e airosa, levanta-se uma ermida em Honra de Nossa Senhora da Guia. A sua devoção está bem viva e firme na alma do povo Loriguense.

É deveras curiosa a história da capela e do culto de Nossa Senhora da Guia.

Nos meados do século passado existiam em Loriga os “Cartagenos” ou sejam negociantes que por esse Portugal fora vendiam peças de lã inteiramente feitas à mão.

Foram eles, com certeza, os imediatos antecessores dos industriais de Lanifícios. Loriga, era aliás, terra ideal para essa indústria, pois a água que corre nas ribeiras era força motriz para mover as suas máquinas. Esses “Cartagenos” nas suas andanças comerciais viram em Vila do Conde, junto à foz do Rio Ave, uma ermida em Honra de Nossa Senhora da Guia, padroeira dos pescadores. Quando em Loriga se pensou em levantar uma capela em louvor da Virgem o título escolhido foi de Nossa Senhora da Guia.

Mesmo não poderia ser outro. É que muitos Loriguenses, à procura de melhor sorte, já nessa altura trabalhavam no Brasil, mormente na região do Amazonas, nas cidades do Pará e Manaus. Nossa Senhora da Guia tornou-se por isso padroeira dos emigrantes.

O local escolhido para a construção da respectiva capela foi o morro atrás citado então denominado “Gemuro”. Alias este local já então era visitado, pois servia de miradouro a para os Loriguenses olharem o monte do Colcorinho sobretudo no domingo do E. Santo, a quando da celebração da festa de Nossa Senhora das Preces em Vale de Maceira. E o povo era tanto, já nessa altura, que um homem de Valezim fazia comercio vendendo refrescos e rebuçados.

            A capela primitiva foi concluída em 1884 e a primeira festa foi realizada em Novembro desse ano. Esta capela durou cerca de 40 anos e tinha a porta principal voltada para Loriga, razão porque o povo cantava:

 

Nossa Senhora da Guia

Combatida pelo vento

Tem as suas portas viradas

Pr’o St. Sacramento

 

A imagem da Virgem tão bela e expressiva foi feita possivelmente em Braga e data da data da Construção da primitiva capela. Chegou até bastante antes da capela estar concluída.

Existe outra imagem – a Senhora da Guia pequenina – que devia vir para Loriga aó por volta de 1901- 1902. A razão desta segunda imagem é a seguinte: No dia da Festa que exceptuando o primeiro ano (1884) sempre se realizou no primeiro Domingo de Agosto, de manhã muito cedo, a imagem vinha em procissão da Capela para a Igreja, regressando para a sua Capela cerca do meio-dia. Acontecia que muitos romeiros, alguns de longes terras, vinham até à capela cumprir as suas promessas e dar as suas ofertas e não encontravam a Imagem da Virgem o que bastante os desconsolava. Foi por isso que se mandou fazer outra imagem que substituísse, na ausência a primitiva imagem, de Nossa Senhora da Guia.

            Como a primitiva capela, feita de pedras de xisto, batidas por enxurradas de água não oferecesse segurança foi resolvido edificar outra. Para o efeito constitui-se uma Comissão aí por 1921, sendo demolida a antiga capela e edificada a actual. O sacerdote que estava frente da Paróquia no ano de Construção da primitiva capela era o Senhor Padre Matias e o que paroquiava Loriga quando da construção da segunda capela era o Monsenhor António Gouveia Cabral.

            Nossa Senhora da Guia tem sido de facto padroeira dos emigrantes. Estes têm-lhe sido deveras agradecidos. O 1.º Domingo de Agosto é sempre lembrado. Em Manaus e no Pará os Loriguenses reúnem-se esse dia, por vezes com festa e procissão em honra de Nossa Senhora da Guia a que já se tem dignado assistir o Senhor Bispo.

            Foram os brasileiros – assim chamados os Loriguenses que vivem no Brasil – que em 1905 mandaram edificar o coreto ou pavilhão para a Filarmónica tocar em dia de festa.

 

Nossa Senhora da Guia

Rosa Branca em botão

Dai saúde aos brasileiros

Que deram o pavilhão.

 

Foram os brasileiros – os do Pará – que há poucos anos mandaram edificar o belo altar e retábulo de mármore com motivos alegóricos à Ladainha da Virgem.

Foram os brasileiros de Manaus que ofereceram a valiosa e pesada e artística cruz de prata benzida em 1906 oito dias antes da Festa de Nossa Senhora da Guia.

 

Nossa Senhora da Guia

A vossa ladeira mata

Dai saúde aos brasileiros

Que deram a Cruz de Prata.

 

                Foi também no dia de Nossa Senhora da Guia – reunidos em festa nesse dia – que os brasileiros de Manaus se lembraram e cotizaram para em 1905 levantarem os elegantes fontanários de Loriga.

            Apenas para completar esta breve resenha histórica quero afirmar que existem dois guiões de Nossa Senhora da Guia: Um vermelho oferecido em, 1888 e que por ser muito alto e pau foi cortado quando da inauguração da electricidade em Loriga e outro azul bastante mais largo que a rodeia.

            Infelizmente a devoção, o culto a Nossa Senhora da Guia está um tanto esmorecido. È necessário despertá-lo, torná-lo mais vivo, prático e operante.

            Que Nossa Senhora da Guia seja o elo que ligue e polarize todos os corações dos Loriguenses espalhados pelo mundo, que lhes lembre sempre a sua e nossa querida terra, as suas famílias, nos recorde os nossos deveres Cristãos, nos ensine a imitá-la e um dia nos reúna a todos no céu.

 

A.M.C

 

________________________________________________

 

Evolução do Santuário de Nossa Senhora da Guia

 

Santuário em 1960

Santuário em 1921

Santuário em 1970

Santuário em 1937

Santuário em 1984

Santuário em 1984

Santuário em 2007 (actual)

Santuário em 2007 (actual)

 

 

 

Copyright © 2007 web.loriga

Loriga
Fotos
Mapa do Site