Para
recordar... Paraquedismo em Loriga

Integrado
na Festa de Nossa Senhora da Guia, no ano de
1985, a
Comissão de então, brindou os Loriguenses com este maravilhoso e único
evento em Loriga.
Os
Paraquedistas entre eles um Loriguense saltaram para a desiganda malhada
da Redondinha, onde hoje se situa a escola E,B 2,3 Dr.º Reis Leitão.
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Mensagem Centenária
do Pároco de Loriga
(Aquando das
Comemorações do Centenário da Festa)
É
numa hora de sublime exultação e de extraordinária alegria que vos
dirijo a minha palavra de Pároco e pastor das vossas almas.
Na
verdade, se todos os anos vemos aproximar-se o primeiro Domingo de Agosto
com a nossa alma a transbordar de Fé e de Júbilo, desta vez os nossos
sentimentos de confiança e amor à Virgem Nossa Senhora da Guia crescem
de forma incomensurável. É que se vão completar 100 anos desde que a
festa a Nossa Senhora da Guia começou a celebrar-se em L0riga.
E,
logo no inicio, vós tomastes por Vossa Padroeira, Padroeira dos
Emigrantes, Padroeira dos Emigrantes, que então como ainda hoje,
mourejáveis em grande número por Terras de Santa Cruz.
Depois,
por circunstâncias da vida, muitos vos ausentastes para outros países e
para outras terras do nosso Portugal. Mas a vossa devoção a Nossa
Senhora da Guia não esmoreceu; ela tem crescido sempre nas vossas almas,
Loriguenses Amigos, os que emigrastes e os que ficastes.
Pedimos
por vós à Senhora da Guia, lembraremos as vossas necessidades
espirituais e corporais, sobrenaturais e naturais, as vossas mais urgentes
intenções, em especial na Santa Missa da festa.
Como
Nossa Senhora ficará contente e vos proporcionará a sua celestial
protecção e bênção ao celebrardes piedosamente a sua festa pela
centésima vez!
Ela
nos trouxe Jesus, o "Caminho, a Verdade e a Vida", e continua
agora a encaminhar-nos a Ele. Sempre chegamos a Jesus por Maria. Pois que,
nesta altura de tão solene e grande centenário da Sua Festa - se Ela é
nossa extremosa Mãe, mostremos nós ser seus verdadeiros e devotos
filhos, sejamos quem formos e seja onde for que nos encontraremos.
Que
o nosso amor, a nossa devoção e dedicação, a nossa fé e confiança
para com Ela cresçam nesta festa centenária!
E
Ela continuará também a ser sempre a nossa Mãe, tão boa que quer e
tão poderosa que pode encher-nos de todas as graças do Senhor.
Não
são bons os momentos que atravessamos. Mas com Ela que poderemos temer?
Saúdo-vos
a todos, com a maior estima e dedicação, o vosso Pároco sempre muito
amigo nos Corações de Jesus e Maria.
Pde
Francisco Borges de Assunção
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O Pavilhão e a
Sineta da Senhora da Guia e o Fogueteiro
(Aquando das
Comemorações do Centenário da Festa)
A
“Comissão do Santuário de Nossa Senhora da Guia”, de Loriga,
pediu-me que escrevesse umas palavras para um opúsculo a publicar pela
Mordomia em exercício, considerando ela completar-se neste ano de 1984 um
século desde a primeira vez que a Vila de Loriga celebrou a Festa de
Nossa Senhora da Guia, Padroeira dos Emigrantes.
Não
estou devidamente documentado para escrever sobre o assunto de tamanha
responsabilidade como este do “Centenário de Nossa Senhora da Guia”.
As
palavras voam, os escritos ficam. Assim diziam os latinos: “Verba volant,
scripta manent”. O nosso povo “agarrou” este sábio provérbio
(acaso noutro sentido) e diz com profunda sabedoria: “Palavras, leva-as
o vento.
É
mais difícil serem levados pelo vento os escritos, embora possa parecer o
contrário.
Mais
difícil ainda, serem levadas pelo vento as obras.
Quantas
obras realizadas nestes cem anos de vida por tantos Loriguenses, por tão
grande número de emigrantes! Olhemos para esses fontanários da Vila de
Loriga. Contemplemos nas procissões da nossa Terra aquela famosa “Cruz
de Prata” que enche de orgulhosa alegria os Loriguenses. Fixemos os
olhos naquela venerada Imagem de o Santa Maria Maior, Orago da Freguesia
de Loriga, oferecida pelo senhor Augusto da Costa Madeira, que conheci.
Olhemos para o belo altar de mármore da Capela de Nossa Senhora da Guia,
e para o enquadramento desse altar.
Fixemos
ainda os olhos naquela antiga placa de ferro fundido nque nos habituámos
a ver no coreto da Senhora da Guia, desde pequenos. Placas como esta e com
outros nomes de Loriguenses que amaram a sua terra e manifestaram
entranhado amor a Nossa Senhora da Guia, poderiam multiplicar-se. Quantos
anónimos na história de Loriga!
Ainda
hoje lemos comovidamente os nomes gravados naquela placa colocada no
coreto da esplanada da Senhora da Guia. MAS eu prefiro usar a linguagem
dos recuados dos tempos da minha infância e dizer como diziam então os
meus companheiros daqueles bairros da nossa Velha Loriga desde a
Redondinha ao Porto, passando pela Carreira, Bairro de São Ginês, Fonte
da Almas, Amoreira, Reboleiro, Praça, Pelourinho, Terreiro do Fundo,
Fonte do Vale, Vinhô e Lages.
Todos
falávamos do “letreiro” que estava no “pavilhão” do “terreiro
da Senhora da Guia”. Esse letreiro começava a ser lido por nós,
pequenitos, a título da experiência para ver se já éramos capazes de
dar provas de que o Senhor Professor Pedro Almeida e sua distintíssima
filha Senhora Dona Alice ensinavam, de facto, a ler. E ensinavam.
Às
vezes, depois da leitura do “letreiro do pavilhão”, dizia um dos
“leitores”, esfregando as mãos contentes e dando saltos de alegria:
Eh! Rapazes! Eu já sei ler os letreiros do pavilhão!
Começava a descoberta de um mundo novo atrás
da leitura, E quem ensinava a descobrir esse mundo novo? O Professos, a
Professora de Instrução Primária. Foram alguma vez devidamente
apreciados os professores que no nosso País ensinam as primeiras letras?
Feliz a criança que encontrou no seu caminho um bom professor de Instrução
Primária! Toda a sua vida escolar ficou facilitada.
Mas,
como crianças que éramos, logo deixávamos o “letreiro do pavilhão”
e voltávamo-nos para aquela sineta da capela da Senhora da Guia. Fazíamos
dela o nosso “carrilhão” festivo, quando se aproximavam as Festas de
Nossa Senhora da Guia. A sineta estava alta. O acesso não era fácil. Mas
a “necessidade aguça o engenho”. E nós sentíamos necessidade de
tocar naquela sineta. Era a nossa maneira de nos exprimirmos. Entretanto,
por toda a parte, nas casas, nos campos, na ribeira, e às vezes, até nas
fábricas de lanifícios, povo de Loriga cantava “a Senhora da Guia”.
As loas que o povo de então cantava com grande entusiasmo, ainda hoje
algumas Loriguenses as vão cantarolando por aí.
O
folclore religioso que acompanhava, em certa medida ao ritmo da Liturgia,
as festas da Igreja, era uma das grandes riquezas da nossa Vila de Loriga.
E
a alegria que sentíamos quando chegava o “fogueteiro” para preparar o
“arraial? Os da minha idade lembram-se como eu me lembro. Então é que
a sineta nunca mais parava. E quantas vezes se ouvia a voz de uma mãe que
dizia: “Credo”! Aquela sineta nunca mais se cala! E deve ser o meu
rapaz que anda prá lá, pró terreiro da Senhora da Guia. Se calhar até
lá comeu com o fogueteiro. Ah! Velhaco! Quando cehagres a casa, eu te coçarei!
E, às vezes, assim era.
De
uma coça que levei, por ocasião da festa, me lembro eu. Quem ma deu foi
minha mãe, que Deus haja.
Eu
era pequeno de 8 ou 9 anos. Gostava dos meus amigos e vizinhos. Mas, já
dizia alguém, “ele há horas do Diabo!” E há mesmo. Eu, miúdo tive
uma dessas horas por ocasião da Festa de Nossa Senhora da Guia. Numa
dessas horas do Diabo, tirei a minha mãe umas moedas e lá fui para a
Senhora da Guia com alguns amigos e vizinhos, entre os quais o Hermínio
do Senhor José da Cabreira, que em paz descanse. Convidei-os para irmos
ao “botequim” que estava circulando a carvalha junto da casa do
fogueteiro. E lá comprei uns comes e bebes, sobretudo para os “meus
convidados”. Eu, valha a verdade, pouco comi, e quase nada bebi, mas um
dos meus amigos ficou de tal maneira que estando em frente de uma garrafa
começava a ver duas. Eu, não cheguei tanto.
O
que eu “comi” foi em casa uma forte bofetada justamente dada por minha
mãe, e uma fortíssima repreensão cheia de bom senso e de ternura que me
ficou na memória para toda a vida.
Fui diferente do meu primo Padre Herculano.
Ele, quando criança, tirou à mãe dois tostões para os dar a São
Sebastião. Eu, tirei à minha mãe para me “banquetear” com os meus
amigos na festa da Senhora da Guia.
Que saudades desses tempos que já lá vão!
Como
eu gosto de cantar esta canção:
“Oh
minha terra onde eu nasci!
Quantas
saudades eu tive de ti!
Amor
redobra com as saudades.
Tu
és pr’a mim o doce toque das Trindades!”
E
como gosto da quadra seguinte, que me recorda esses tempos de menino meu
padrinho e avô materno carinhosamente me fazia os piões com que eu
gostava de jogar!
“
Eu quero ouvir os teus pardais ao desafio!
Quero
sentir a sombra amiga do estio!
E
teus folguedos reviver com emoção.
Ó
pião da minha infância, vem de novo à minha mão.”
Quantas
coisas eu teria para dizer desses tempos de criança quando, com outras
crianças e em Loriga, eu jogava o meu pião feito pelas carinhosas mãos
de meu avô!
Vou ficar por aqui na escrita, sem saber se
fui ao encontro do que me pediram os Mordmos.
Mas então - deixei vós – um padre, e não
falou da festa religiosa nem da santidade? Não, porque não era esse o
assunto para agora.
Todavia, deixo aqui as palavras daquele frade
franciscano que, passeando no belo claustro do convento do Varatojo por
ocasião das Festas de Santo António, e ouvindo os acordes da Banda de Música
que tocava lá fora, e os foguetes e morteiros que subiam ao ar, o bom
frade, de olhos baixos, e as mãos metidas nas mangas do seu hábito de
franciscano, repetia estas palavras saídas do coração de um
contemplativo: “Ó meu Jesus! E tudo isto, por causa da Santidade!”
Cónego
Abranches
22.
IV. 84
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Outros
recortes históricos
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- Ano 1972 -
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Em
1 de Agosto de 1972, dia da Festa da Nossa Senhora da Guia, foi realizada
pela primeira vez uma Corrida de Atletismo em honra da Padroeira,
organizado pelo FC "Dragões" um grupo de jovens na altura muito
activos. |
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- Ano 1939 - O Ano
em que não houve Festa
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Desde à quatro anos
atrás que continuava a existir um certo contencioso, entre o Padre
Lages e alguma população, com esta a não conformar-se pela proibição
existente de não ser permitido arraiais populares nas festas de
cariz religioso.
Este contencioso teve maior proporção, neste ano de 1939, que
levou a não ser realizada a Festa em honra de Nossa Senhora da
Guia.
Consta que na noite anterior à Festa da N.S. da Guia, por volta da
meia-noite, alguns populares dirigiram-se para o recinto da festa
deitando alguns foguetes, chamando a atenção da população, para
que ouvissem os seus protestos.
Foi dado disso conhecimento ao Senhor Bispo da Guarda, que por sua
vez fez chegar ao Senhor padre Lages o seguinte comunicado:
"Revm. Sr.
Queira dizer-nos:
1º. O que se passou na noite de Sábado último?
2º. O que resolveram fazer: fizeram ou não a festa religiosa?
3º. Justifiquem o que tiverem feito.
4º. Será preciso interditar os promotores do que se fez? Houve
realmente promotores? E quantos?
Deus guarde Va. Reva.
Guarda, 7 de Agosto de 1939
Assinado) José Bispo da Guarda" *
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* Documento transcrito na integra,
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Nota:- Consta no entanto que 15
dias depois houve uma celebração na capela, ao que parece, em
substituição da festa.
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- Ano de 1935 - Uma
controvérsia comissão
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Neste ano e pela
primeira vez, surge um grupo de pessoas intitulando-se como comissão
para organizar a Festa de N. S. da Guia, contrariando como até então
se procedia, em que as festas religiosas estavam a cargo do Pároco
local
Foram mesmo espalhadas em Loriga e freguesias vizinhas uma publicação
com a programação seguinte:
"Tradicionais e
grandiosos festejos em honra da Virgem N.S. da Guia pela comissão
das festas da Vila de Loriga. Realisam-se nos dias 3 e 4 de Agosto
as importantes Festas da Vila à Virgem N. S. da Guia, padroeira dos
Loriguenses ausentes, indubitavelmente uma das mais concorridas
deste distrito, constando o seguinte programa:
Dia 3
12 horas - Serão queimados foguetes e morteiros
anunciando as festas.
16 e ½ horas - Seguirá para a Avenida
Augusto Luiz Mendes a Filarmónica loriguense onde deverá fazer-se
uma recepção à Banda humanitária de Bombeiros Voluntários de
Cascaes pelas 17 horas, queimando-se uma salva de morteiros.
17
horas - Haverá venda da flôr.
21 horas -Entrada das duas
filarmónicas no recinto das festas, sendo queimada uma salva de 21
tiros.
22 horas - Será queimado um vistoso fogo de artificio,
fornecido por um dos melhores pirotecnicos da Barquinha. O arraial
estará lindamente ornamentado e iluminado a luz elétrica. As
bandas executarão as melhores peças dos seus vastos reportórios.
Dia 4 -
Diversos divertimentos mundanos, bem como várias surpresas
que acabam de movimentar a festa." *
(curiosamente não era feita nenhuma referência a culto religioso)
Escusado será dizer que perante isto, surgiu um contencioso entre o
Padre Lages, na altura Pároco de Loriga e os membros dessa comissão
e também alguma população, sendo dado conhecimento e mesmo
enviado o respectivo programa ao Senhor Bispo da Guarda, que por sua
vez enviou ao Pároco de Loriga a seguinte Portaria:
"Tendo sido publicado um
programa com o titulo Tradicionais e grandiosas festas em honra da
N.S. da Guia pela comissão das festas da Vila de Loriga,
realisam-se nos dias 3 e 4 de agosto; indicando-se nesse programa o
arraial e (diversos divertimentos mundanos, bem como varias
surpresas), com exclusão de qualquer acto culto; Havemos por bem
prohibir a celebração nesses dias de qualquer festividade
religiosa naquela Vila, podendo essa festa ser adiada para quando o
Rev.do Paroco julgar conveniente, com a condição, porém, de que
limitará unica e exclusivamente a actos religiosos, com exclusão
de qualquer parte profana.
Seja esta Portaria remetida ao Rev.do Paroco de Loriga, para que lhe
dê exacto cumprimento, sob pena de suspensão ipso facto, devendo
acusar-nos a sua recepção dentro de cinco dias.
Caldas da Felgueira, 24 de Julho de 1935
JOSÉ, Bispo da Guarda" *
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* Documentos transcritos
na integra,
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- Ano de
19 18 -
Documento antigo dos Festejos
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